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Kit Burro
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domingo, outubro 14, 2007
Espírito Esportivo

Que o futebol virou um grande negócio, os times empresas e os jogadores mercenários todo mundo já sabe. Que já não existe mais amor à camisa, que os dribles e jogadas geniais que empolgavam os torcedores viraram “provocação” e isso transformou o mais popular esporte do mundo numa apresentação entediante de preparo físico e objetividade todo mundo também sabe. Mas a grande novidade da destruição do futebol como entretenimento ficou por parte das torcidas.
Recentemente fique muito surpreso com a manifestação de algumas torcidas (acho que a do Botafogo e a do Corinthians) que invadiram o treino para agredir jogadores e técnicos exigindo melhores resultados. Eu já achava um absurdo as pessoas ficarem revoltadas com a derrota dos seus times, mas essas demonstrações dos últimos tempos superam tudo.
É claro que num jogo que não termine empatado, alguém perderá. O torcedor que vai para o estádio hoje se acha no direito de sair com a vitória, desconsiderando que na outra torcida também existe alguém que pagou o ingresso. Quem tem mais direito?
O absurdo é tão grande que até mesmo pessoas de dentro do esporte, como técnicos e jogadores, declaram publicamente que o torcedor tem direito de cobrar do time, desde que pacificamente. Claro que não temos muitos jogadores conhecidos por suas grandes idéias ou declarações coerentes, mas o único direito que o torcedor tem é de sentar no lugar marcado e esperar que seu time faça o possível (dentro do espírito esportivo) para sair com um bom resultado. E só.
Um bom exemplo de espírito esportivo é o da seleção brasileira feminina de futebol. Elas perderam, mas jogaram bem e não foram criticadas pelo segundo lugar. É assim que deve ser. Amor ao clube é sair do estádio satisfeito por ter participado do espetáculo do futebol e se preparar para mais uma semana de trabalho, doido para que chegue o domingo de novo.
Vivemos numa época onde valorizam o esporte como disciplinador e formador de gerações mais cidadãs, mas o verdadeiro espírito esportivo é pouco discutido. A medalha de ouro olímpica é supervalorizada, ninguém se lembra do terceiro e quarto lugares e se um juiz se engana ou até mesmo age de má fé interferindo no resultado só quem se importa é a parte derrotada.



