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quinta-feira, julho 28, 2011

quinta-feira, julho 22, 2010

Para Gostar de Ler (Inacabado)

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Como eu não sei se terminarei um dia, vai aí a versão sem cor.

terça-feira, março 30, 2010

Vergonha




Dizem que o que vale é a intenção, mas eu acho que os holandeses mandaram muito bem quando passaram por aqui.

quinta-feira, outubro 22, 2009

Riabóvich




Os visitantes, alguns com o rosto sério, mesmo se­vero, outros a sorrir contrafeitos, mas todos forte­mente acanhados, inclinaram-se e tomaram lugar à mesa. Mais acanhado do que todos se sentia o ca­pitão Riabóvich, um oficial baixinho, de ombros caídos, caixa-d’óculos, de suíças lembrando um lince. Enquanto os colegas se mostravam cheios de serie­dade ou sorriam encabulados, suas faces, as suíças de lince e seu par de óculos pareciam explicar: "Eu sou o mais tímido, modesto e insignificante oficial de toda a brigada". Depois que se sentou à mesa levou ainda algum tempo sem poder fixar a atenção em coisa alguma ao redor de si. Rostos, vestidos, os frascos burilados do conhaque, os compridos copos a deitar fumaça, as cornijas modeladas — tudo se confundia num só e dominante sentimento que lhe causava intenso terror e quase o forçava a procurar um buraco onde meter a cabeça. Como inexperiente conferencista, ele via todas as coisas diante de si sem nada poder distinguir, e era com efeito uma vítima disso que os homens de ciência diagnosticam como "cegueira psíquica".

De " O Beijo", Anton Tchecov.

quarta-feira, junho 24, 2009

65 - Sorte!

Arkadi olhou admirado para o homem e pensou: “Está certo, é bom que as pessoas de meia idade, talvez até algumas já mais idosas, continuem a jogar tênis, mas com certeza chegará um tempo em que, por uma questão de decência, é preciso desistir”.


O homem à sua frente usava calça de flanela branca, cada perna parecendo um saco, calçava tênis sujos e vestia uma camiseta já amarelada. Naturalmente, passava dos sessenta. Era baixo, quase um anão e muito gordo. Estava distante do pavilhão de tênis do Hurlingham Club, aparentando esperar por alguém. Arkadi nem sequer suspeitava de que o homenzinho estava esperando por ele. O gordinho tinha a cabeça, grande e redonda, coberta por uma peruca ruiva. Além disso, mascava chicletes e toda hora cuspia para o lado, sem querer saber se havia gente por perto, na trajetória do cuspe.



***


Já falei aqui da minha enorme ignorância a respeito de assuntos que gosto muito e que, por isso mesmo, deveria conhecer um pouco mais (como música e literatura). O que ainda não mencionei é que isso me proporciona algumas surpresas muito legais. A última delas se chama George Mikes.


Sei que muita gente vai dizer que ele é famosíssimo, que escreveu vários livros e nem vai acreditar que eu não o conhecia. É isso mesmo, o que eu posso fazer? O fato é que lendo “O espião que morreu de tédio” fui iniciado neste autor super engraçado e despretensioso. Diversão garantida.


O livro é uma sátira bem-humorada dos romances de espionagem e traz todos os ingredientes que estas histórias devem ter, sexo, intriga, romance, mistério, tudo de um jeito diferente e inusitado. É um pouco ingênuo em algumas partes, mas é o tipo de humor que eu gosto.


***

O espião que morreu de tédio

Título do original em Inglês: The spy who died of boredom

Autor: George Mikes (1912 – 1987)

Livro de 1973

Tradução: Jaime Bernardes

Editora Círculo do Livro S.A.






domingo, junho 14, 2009

64 - Doce

A Srta. Lynch... srta. Lynch. O “senhorita” já fazia parte do nome dela, e parte dela mesma. Acho que ela nunca mais será capaz de extirpá-lo. O nariz dela fica mais vermelho a cada ano, mas é sinusite, não bebida.

- Bom dia, Ethan – ela disse. – Está comemorando alguma coisa?

- Ele me arrastou para cá – respondi, e então, como que fazendo um exercício de simpatia, acrescentei: - Annie.

A cabeça dela se voltou como se tivesse ouvido um tiro e então, quando absorveu a idéia, sorriu e, sabe o quê? Ficou com a mesma cara que tinha na quarta série, o nariz vermelho e tudo.

- É bom vê-lo, Ethan – ela disse e assoou o nariz com um guardanapo de papel.

- Quando ouvi, fiquei surpreso – Morph disse. Puxou o papel do cubo de açúcar. Tinha as unhas feitas. – A gente tem alguma idéia, então ela se fixa e a gente fica achando que é verdade. Levamos um susto quando descobrimos que não é.

- Não sei do que você está falando.

- Acho que eu também não sei. Estas embalagens são uma desgraça. Não sei por que simplesmente não os colocam soltos em uma tigela.

- Talvez porque aí as pessoas vão usar mais.

- Acho que sim. Conheci um sujeito que ficou um tempo comendo só açúcar. Ele ia ao Automat. Pagava dez centavos por uma xícara de café, bebia a metade, enchia de açúcar. Pelo menos não morreu de fome.

Como sempre, fiquei imaginando se o sujeito não seria o próprio Morph: um homem estranho, durão, sem idade e com unhas feitas. Acho que ele era um homem bastante educado, mas só por causa da sua maneira de agir e de seu modo de pensar. Sua erudição se escondia em um dialeto de palavras de baixo calão, a linguagem dos iletrados inteligentes, duros e exibidos.



O Inverno da Nossa Desesperança


Título do original em Inglêsl: The Winter of our Discontent

Autor: John Steinbeck (1902 – 1968)

Livro de 1962

Tradução: Ana Ban

Editora L&PM Pocket – Inverno de 2007




Este é o último livro que li. Como sempre falei muita besteira, vivo pedindo desculpas ou atualizando minhas impressões a cerca das coisas. Sendo assim, lá vai mais uma correção: eu gosto dos escritores americanos. A ignorância é uma doença cuja vacina deve ser ministrada diariamente. O mais importante é começar o tratamento cedo.


Tenho até medo de comentar este livro, mas sei que algumas pessoas gostam que eu o faça (acho que só você, Miau), por isso vou me arriscar.


O que mais me chamou a atenção neste livro foi o caráter despretensioso que o autor imprime, mesmo quando trata de assuntos muito profundos. O engraçado é que esses assuntos são as coisas corriqueiras, o cotidiano, mesmo porque, a falência de nosso mercadinho nos atinge muito mais do que a morte de milhões de desconhecidos do outro lado do planeta (isso em termos práticos, não me achem insensível).


Outra coisa que me marcou foi a construção dos personagens, principalmente o principal; Um personagem diferente transforma o livro em divã. Nele, serão discutidos os pequenos problemas do cotidiano que são o verdadeiro pano de fundo das grandes tragédias. Um livro sobre honestidade, sobre trabalho e sobre valores que são tão proclamados pela sociedade quanto incompatíveis à sua própria estrutura.


Desculpem qualquer coisa. Hoje é domingo e eu já tomei uma cerveja.



Marullo - personagem do livro.

segunda-feira, junho 08, 2009

63 - Biografias


Eu jamais leio biografias.

(Adoro essas frases de abertura que viram um parágrafo inteiro. Elas transformam qualquer besteirinha em uma besteira grande.)


Acho que nunca havia lido uma biografia séria antes, mas comecei em grande estilo com o livro “John Lennon, A Vida” de Philip Norman.



Sempre fui muito fã dos Beatles e em especial de John, mas não esperava que a sua personalidade e gênio criativo pudessem ser tão grandiosos. Confesso que no começo me senti um pouco decepcionado com as descobertas que fiz ao penetrar na vida de Lennon, mas o livro trata a pessoa com justiça e o artista com um cuidado especial.


Além recomendar o livro a todos que gostam de Beatles, música, artes, história da cultura pop, século XX e contracultura, divido com vocês a experiência de um iniciante em biografias.


Descobri que ler a biografia de uma pessoa, seja ela um ex-penitenciário, um estadista, um ídolo pop ou um revolucionário, pode esclarecer muito sobre nós mesmos e as pessoas que nos cercam. Uma biografia é uma olhada cuidadosa e atenta no próximo, coisa que nem sempre temos tempo de fazer. Ao ler a história de John Lennon, vi muito de alguns amigos refletido no comportamento dele e vi muito de mim mesmo. Afinal, somos todos mais ou menos parecidos, com nossas fraquezas, necessidades e sonhos. Achei muito interessante olhar de perto e com atenção para alguém, tentar entender essa pessoa e ver quanto de mim existe ali. Acho que isso torna a gente mais tolerante e nos ajuda conhecer e escolher quem está a nossa volta.


No fim das contas, foi um livro que mexeu muito comigo: fiquei triste, estimulado, revoltado, surpreso, decepcionado, orgulhoso, curioso e emocionado. Foi difícil me afastar dos romances, mas acho que foi um primeiro passo importante na abertura de novos horizontes.

terça-feira, março 25, 2008

Reler



Quem termina de ler um livro cumpriu o fundamental estágio para fruição do mesmo. Feito o primeiro contato e apresentações, é hora de ler de verdade, ou seja, reler.

Não estou falando aqui de ler com certa idade e experiência de vida e, anos depois, tornar ao livro para repensá-lo. Realmente acredito que os livros foram feitos para serem relidos, alguns duas, três, muitas vezes. Claro que não me refiro a qualquer livro. Sei de alguns que não devem ser abertos uma única vez. Outros há que merecem, ao menos, serem lidos e esquecidos, mas os grandes devem ser revistos e não por obrigação, mas porque as descobertas começam a acontecer quando já sabemos de tudo.

Já reli muitos livros. A sensação é sempre a mesma quando os livros são sempre bons: prazer, revelação, entendimento e admiração. Foi assim com o último livro que reli: Dom Casmurro.

Acho este livro uma obra-prima, mas não vou chover no molhado. Quem quiser a crítica, pode recorrer a qualquer livro didático, o que eu quero mesmo é citá-lo como exemplo para tudo que eu disse sobre releitura.

Asseguro que não é chato e garanto que vale a pena. Alguns vão alegar que é melhor ler um outro grande livro e não perder tempo. Eu já pensei assim, mas agora separo sempre um tempinho para rever velhos amigos.

quarta-feira, março 12, 2008

Um Especialista


O comendador falara com um ardor desusado nele; acalorara-se e se entusiasmara deveras, a ponto de haver na sua fisionomia estranhas mutações. Por todo ele havia um aspecto de suíno, cheio de lascívia, inebriado de gozo. Os olhos arredondaram-se e diminuíram; os lábios se haviam apertado fortemente e impelidos para diante se juntavam ao jeito de um focinho; o rosto destilava gordura; e, ajudado isso pelo seu físico, tudo nele era de um colossal suíno.

Lima Barreto - Um Especialista

domingo, novembro 18, 2007

Contos de Horror do Século XIX





Este é o livro que eu estou lendo com o marcador que eu fiz. Essa coleção da Companhia das Letras é muito interessante, tanto pelos títulos quanto pelo design. As capas são todas feitas a mão, inclusive a marca da editora, como se fossem rascunhos ou projetos bem detalhados que não foram para arte final.

A seleção de contos é excelente e a gente fica conhecendo um pouco de muitos autores, além das surpresas de ver gênios que se consagraram em outros gêneros transitando neste campo do horror, como é o caso de Júlio Verne. Destaco ainda os contos O Rapa Carniça, de Stevenson, e a Mão do Macaco, de Jacobs.

Para quem gostou do marcador, fique à vontade para fazer o download aqui.



segunda-feira, maio 07, 2007

Lama (Aquarela)




Ainda não desisti de trabalhar com aquarela, embora ainda não tenha dado uma dentro. Essas são as últimas tentativas, como a visitação deste blog anda bem devagar, acho que não tem problema colocar essas meleiras aqui.