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quarta-feira, setembro 08, 2010

Quem vê cara...



A campanha política está de volta! A festa da democracia vai recomeçar e com ela todos os transtornos que este período traz a reboque como propaganda política, horário político, carros de som, “santinhos” (que nome infeliz, hein?), poluição visual e outras mazelas.

Os candidatos também estão de volta para a temporada de caça, onde eles, claro, são os caçadores. O problema é que, passadas as eleições, eles não voarão para o Sul. No máximo, irão para o Centro-Oeste, mas não ficam por lá nem até quinta-feira.

Todo mundo sabe que não se pode ganhar as eleições apenas com a verdade (até nós eleitores sabemos disso), por isso, nos discursos e projetos sempre tem algumas promessas ou obras que nunca verão a luz do dia. Sabemos que a boa vontade é grande na hora de traçar as metas, mas o tempo é curto na hora de cumpri-las. Mas, existe um tipo de inverdade que acabou de atingir o paroxismo do absurdo: as fotos de campanha.

Ver o Serra simpático ou a Marina arrumadinha ainda dá para engolir, mas a Dilma bonitona é demais! Tudo bem que ela deu uma bela repaginada depois que começou a trabalhar na sua campanha e melhorou quinhentos por cento, mas, ainda assim, era aquilo que a gente via. O pessoal do Photoshop que trabalhou na foto da Dilma exagerou e com as rugas, manchas e imperfeições retirou uns trinta anos de idade da candidata.

Um amigo meu, que é meio político e meio gente, (eu tenho amigos em todo lugar e não tenho preconceito) disse até que a Dilma podia ser enquadrada por falsidade ideológica!  Exageros à parte, eu não duvidaria se depois das eleições, no caso de uma derrota, ela recebesse um convite da Playboy para um ensaio fotográfico, ou até mesmo assumisse sua transformação e estrelasse uma campanha brasileira da Adobe (fabricante do milagroso programa). Aliás, podia ser até uma coisa mais ou menos assim: “O Photoshop é como o futebol, os outros inventam, mas nós brasileiros fazemos a mágica acontecer”.

O pior de tudo é que esta estratégia absurda e esse artifício diabólico podem até dar certo. Como a gente só liga a televisão para assistir à novela, é capaz de a maioria dos eleitores jamais terem visto a “verdadeira” Dilma.


segunda-feira, julho 05, 2010

Copa 2010


Brasilino acordou cedo, pois tinha um compromisso com seus velhos amigos. O mesmo compromisso de muitos anos, uma caçada em grupo.


Todos sairiam do mesmo lugar, a fazenda de um dos amigos de Brasilino, mas antes teriam de escolher seus cachorros.


Brasilino já participava dessa caçada anual há muito tempo e sempre usava o mesmo cachorro. Quando chegou no canil, Brasilino encontrou seu cachorro de sempre, mas ele estava muito velho.


O velho cachorro de Brasilino estava cego de um olho, quase não tinha dentes na boca e arrastava de uma perna, o que fazia com que ele se movesse ainda mais lentamente do que impunha o peso de sua idade.


Existiam muitos cachorros disponíveis para a caçada. Cada caçador escolheu o seu cachorro e todos levaram o que achavam o mais esperto, o mais forte.


Brasilino, pensando em todas as boas caçadas que vivera com seu velho companheiro, escolheu o velho cachorro para acompanhá-lo. Escolheu baseado na amizade, no companheirismo e na confiança que sempre tivera no amigo.


Ao final da caçada, todos voltaram com algum troféu, menos Brasilino que voltou de mãos vazias.


Os amigos de Brasilino riam e se divertiam. Um deles falou: “Brasilino, você foi o único que não trouxe nada”. Brasilino respondeu: “meu cachorro era muito velho e lento, além disso, não tinha mais dentes, mesmo a caça morta, ele não conseguia segurar”.


“Mas Brasilino” – retrucou um amigo – “havia muitos cachorros no canil, porque você foi escolher logo este?”.


Brasilino respondeu que estava muito honrado de trabalhar com aquele cachorro, que agradecia a confiança de todos e que tinha a sensação do dever cumprido.


Um outro amigo falou ainda: “então tá, Brasilino, agora não reclama de não ter trazido nem um Ganso para contar a história”.


Brasilino respondeu em voz baixa: “mas tu é um puta cagão”.


Moral da História: Se quiser uma fábula bem escrita, vá ler Esopo!

quinta-feira, maio 13, 2010

Crendice? Quem disse?




Eu sou um espírito prático. Apesar de ter minha fé, e de me considerar um homem de fé, sou essencialmente um cético. Porém, e essas afirmações categóricas trazem sempre um “porém”, sou forçado a admitir que existe algo de sobrenatural no futebol.


Acompanhando o “Time da Moda”, tenho feito várias descobertas nessa arte inesgotável das quatro linhas. No embate de ontem contra o Grêmio, pude constatar uma dessas forças inexplicáveis que regem o futebol. O time do sul é formado por muitos ex-jogadores do São Paulo, equipe que, apesar de todas as suas conquistas, tem fama de não ser de muita raça, coloquemos assim. Mesmo desconsiderando as brincadeiras dos torcedores de outros times do estado, e até do país, temos que admitir que outras características descrevem melhor o bom futebol do tricolor paulista.


Já o Grêmio, este é conhecido pelo espírito guerreiro, como o time que nunca desiste e que luta até o último minuto com empenho desmedido. Ontem, mais uma vez foi assim; saindo de um resultado adverso, os tricolores sulistas viraram o jogo dentro da filosofia do clube.


Sabendo que no futebol moderno os times mudam muito de um ano para o outro, bem como seus técnicos, e considerando que muitos jogadores do Grêmio vieram da equipe do São Paulo, como explicar essa raça, essa força, essa transformação? Eu explico: é a camisa, são as cores, é mágica.


Muita gente vai criticar essa minha teoria, se eu tiver sorte (?) de ser lido por muita gente, mas é a única justificativa que encontro para esse tipo de fenômeno no futebol. Para os mais cético que eu, deixo aqui uma pequena citação: “eu não acredito em bruxas, mas...”.

domingo, abril 18, 2010

Hoje é domingo!




Cerveja gostosa...


Disco di fudê!



Hoje é domingo!


Eu sei que tem gente que não gosta de domingos, mas são aqueles que sofrem de véspera pensando na segunda-feira. Para muitos, o domingo é dia de folga, dia de se esforçar como não se faz nos dias úteis, mas com a única e lícita intenção de se divertir. Só que hoje é um domingo especial: um domingo de finais.


Eu sei que tem gente que não abre mão de um bom programa só por causa de futebol. Eu mesmo jamais dispensaria um convite de trigêmeas suecas, deusas da beleza com seios anti-gravitacionais, para uma partida de dominó numa hidromassagem cheia de Stella Artois ao som do clássico “Músicas para Ouvir Amando”. Mas tem gente que se prepara com muita antecedência para que não falte nada no momento do espetáculo. Alguns negociam a semana toda com as esposas, assistindo novela, “Uma Linda Mulher” e todo tipo de mazela feminina só para ficar com o controle remoto da TV no domingo. Isso quando não podem abandonar o aconchego do lar para ir enfrentar engarrafamento, intempérie, empurra-empurra e cerveja quente para ver o jogo no estádio.


Hoje é domingo de finais e eu já paguei minha cota de privações, exposições, humilhações e submissões. Já preparei tudo, comprei a cerveja e o tira-gosto, conquistei o privilégio do controle remoto e desliguei o celular (para o caso das trigêmeas tentarem me ligar).


Hoje é domingo! Domingo de futebol!

quinta-feira, abril 15, 2010

Meu Sonho

Todos temos sonhos, uns mais humildes, outros mais extravagantes, mas todos alimentamos desejos, secretos ou não, nos momentos de ociosidade, angústia ou devaneio. Quem nunca parou e ficou imaginando como seria se o seu desejo fosse realizado? Quem nunca se estendeu nesses deliciosos pensamentos dando asas à imaginação?


Existem sonhos possíveis, ainda que improváveis, como ficar rico com o trabalho honesto ou comer a Camila Pitanga, e existem os sonhos impossíveis como a Paz Mundial ou uma garrafa inquebrável que produza cerveja gelada e inesgotável de diferentes tipos (isso é um sonho!). O bom do sonho não é se ele é possível ou não. O bom do sonho é sonhar.


Outra coisa boa no sonho é a Infidelidade Onírica. Podemos sonhar com coisas diferentes sempre que quisermos, sempre que nosso gosto mudar ou quando aparecerem atrizes mais gostosas. Não estamos presos a um sonho só. Cada dia podemos ter um sonho diferente, podemos atualizar nossos desejos.


Hoje eu tenho um sonho. Ele não está na categoria dos impossíveis, mas deve estar entre os mais improváveis. Eu queria ver esse time do Santos jogando contra o Barcelona na Vila Belmiro. Eu naquele camarote que é quase dentro do campo tomando muita cerveja e vendo, no fim do segundo tempo, Neymar fazer um gol de bunda e fechar o placar em dez a nove para os “Meninos da Vila”.


Hoje esse é o meu sonho.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

De como eu descobri que sou gordinho - Parte I


Eu sempre fui um defensor da liberdade e da igualdade, mas existe uma diferença que eu sempre achei importante observar: a diferença entre os sexos. Claro que eu não estou falando de grandes ou pequenos, com esse tipo de desigualdade nós homens devemos nos acostumar muito cedo. Daí inventarmos frases como "o importante não é o tamanho..." e etc., a diferença que eu quero ressaltar aqui é entre homens e mulheres.

Não vou descartar os diferentes tipos de homens e mulheres que tornam essa discussão ainda mais complexa, mas existem comportamentos e ideias que são típicos de cada sexo. Por isso que eu não sou contra a nomenclatura "terceiro sexo", só acho insuficiente, já que existem o quarto, o quinto o sexto e assim por diante (ainda bem que os números são virtualmente infinitos, já pensou se usássemos letras? Não daria conta). Da mesma forma que as mulheres são vaidosas, existe um tipo de homem que paga para fazerem suas unhas (os que fazem unhas geralmente estão no terceiro sexo ou em outra categoria), cuidam da pele e tomam chá verde. Assim como existem mulheres que gostam de futebol, vão ao estádio e não sabem cozinhar, há homens que choram vendo novela e criam cachorros de pequeno porte. A verdade é que está cada vez mais difícil falar sobre sexo, opção, orientação sexual e assim por diante, mas existe uma diferença que vale para a maioria dos homens e das mulheres, e é sobre isso que eu vou falar.

Dizem que as mulheres se olham no espelho e sempre se vêm gordas, e que o homem, por mais gordo que esteja, sempre se vê forte. Eu posso atestar a verdade disso, porque tenho várias amigas magras que se acham gordas, e principalmente porque, até bem pouco tempo, eu me olhava no espelho e sempre me via fortão. Isso não mudou porque fiquei mais gordo, na verdade, ainda me acho forte quando me olho no espelho, o problema foi um episódio que aconteceu algum tempo atrás.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Quem ganhou?

O Botafogo do Rio de Janeiro foi até o Pará enfrentar o São Raimundo pela Copa do Brasil e sabe o que o aconteceu? O Botafogo perdeu. Pelo menos é assim que a informação chegará em todo Brasil, menos lá no Pará onde, sem dúvida, o São Raimundo ganhou.

É incrível como a imprensa esportiva não consegue deixar de lado velhos preconceitos. É claro que os times grandes são favoritos, mas a Copa do Brasil é a verdadeira festa do futebol brasileiro. Times pequenos e até mesmo desconhecidos de todas as partes do país vivem seu momento de glória ao enfrentar times de tradição. Agora imagine se um desses times ganha, como no caso do São Raimundo. É preciso dar valor a conquista destes "timinhos", afinal, o sonho do futebol não pode ficar restrito às capitais ou a quem tem dinheiro. Por isso os campeonatos estaduais são tão importantes. Eles mantêm acesa a paixão pelo futebol através da proximidade. Ele cria heróis anônimos que o Brasil esquecerá no dia seguinte, mas que estarão para sempre imortalizados na foto do time pregada nos botecos da cidade. O futebol é a arte do povo, por isso, como diz a canção: "todo artista tem de ir aonde o povo está". O futebol do dinheiro deve isso aos pequenos.

Parabéns ao São raimundo e a todos os "pequenos" que disputam o melhor campeonato do Brasil, o mais emocionante, o mais democrático, o mais curioso e rico culturalmente. Parabéns não só por enfrentar os grandes de igual para igual, mas por mostrar para os brasileiros o tamanho e a diversidade desse país que não se conhece e, muitas vezes, não se respeita. Afinal, como diz uma outra canção: "ficar de frente para o mar, de costas pro Brasil, não fazer desse lugar um bom país".

quarta-feira, outubro 21, 2009

segunda-feira, junho 29, 2009

67 - Agradecimentos

Esta é basicamente uma postagem de agradecimento.

Gostaria de agradecer a visitação que o blog vem recebendo. Eu coloco essas coisas aqui, porque tenho muita vontade de desenhar e escrever, mas porque quero muito dividir minhas experiências e conversar com os outros. Dizer o que acho e saber o que acham. Por isso, agradeço muitíssimo às pessoas que comentam ou que simplesmente registram sua visita, seja nos comentários ou nos recados da capa. Muito obrigado mesmo.

Obrigado, ainda, a quem vem, mas não deixa rastro. Engraçado como muitas pessoas dizem para mim que viram o blog, mas não deixaram comentários. São os tímidos e eu agradeço a eles também.

Obrigado aos preguiçosos, aqueles que passam por aqui e assumem que têm preguiça de escrever, mas falam pessoalmente ou por telefone (que nos dias de hoje é quase um pessoalmente também).

Agradeço aqueles que mandaram alguma contribuição ou idéia, os participativos, valeu.

Agora, MUITO OBRIGADO MESMO aos amigos que mandaram fotos. Esses admiradores do blog que, mais do que participar, querem fazer parte deste espaço, que no fim das contas, é de todos nós mesmo.


Meu amigo distante: Maurício.


Fábio: amigo das antigas.


Daniel: amigão.


Aristides: amigo e mestre.


Rafael: amigo e parente.


quarta-feira, junho 24, 2009

65 - Sorte!

Arkadi olhou admirado para o homem e pensou: “Está certo, é bom que as pessoas de meia idade, talvez até algumas já mais idosas, continuem a jogar tênis, mas com certeza chegará um tempo em que, por uma questão de decência, é preciso desistir”.


O homem à sua frente usava calça de flanela branca, cada perna parecendo um saco, calçava tênis sujos e vestia uma camiseta já amarelada. Naturalmente, passava dos sessenta. Era baixo, quase um anão e muito gordo. Estava distante do pavilhão de tênis do Hurlingham Club, aparentando esperar por alguém. Arkadi nem sequer suspeitava de que o homenzinho estava esperando por ele. O gordinho tinha a cabeça, grande e redonda, coberta por uma peruca ruiva. Além disso, mascava chicletes e toda hora cuspia para o lado, sem querer saber se havia gente por perto, na trajetória do cuspe.



***


Já falei aqui da minha enorme ignorância a respeito de assuntos que gosto muito e que, por isso mesmo, deveria conhecer um pouco mais (como música e literatura). O que ainda não mencionei é que isso me proporciona algumas surpresas muito legais. A última delas se chama George Mikes.


Sei que muita gente vai dizer que ele é famosíssimo, que escreveu vários livros e nem vai acreditar que eu não o conhecia. É isso mesmo, o que eu posso fazer? O fato é que lendo “O espião que morreu de tédio” fui iniciado neste autor super engraçado e despretensioso. Diversão garantida.


O livro é uma sátira bem-humorada dos romances de espionagem e traz todos os ingredientes que estas histórias devem ter, sexo, intriga, romance, mistério, tudo de um jeito diferente e inusitado. É um pouco ingênuo em algumas partes, mas é o tipo de humor que eu gosto.


***

O espião que morreu de tédio

Título do original em Inglês: The spy who died of boredom

Autor: George Mikes (1912 – 1987)

Livro de 1973

Tradução: Jaime Bernardes

Editora Círculo do Livro S.A.






domingo, junho 14, 2009

64 - Doce

A Srta. Lynch... srta. Lynch. O “senhorita” já fazia parte do nome dela, e parte dela mesma. Acho que ela nunca mais será capaz de extirpá-lo. O nariz dela fica mais vermelho a cada ano, mas é sinusite, não bebida.

- Bom dia, Ethan – ela disse. – Está comemorando alguma coisa?

- Ele me arrastou para cá – respondi, e então, como que fazendo um exercício de simpatia, acrescentei: - Annie.

A cabeça dela se voltou como se tivesse ouvido um tiro e então, quando absorveu a idéia, sorriu e, sabe o quê? Ficou com a mesma cara que tinha na quarta série, o nariz vermelho e tudo.

- É bom vê-lo, Ethan – ela disse e assoou o nariz com um guardanapo de papel.

- Quando ouvi, fiquei surpreso – Morph disse. Puxou o papel do cubo de açúcar. Tinha as unhas feitas. – A gente tem alguma idéia, então ela se fixa e a gente fica achando que é verdade. Levamos um susto quando descobrimos que não é.

- Não sei do que você está falando.

- Acho que eu também não sei. Estas embalagens são uma desgraça. Não sei por que simplesmente não os colocam soltos em uma tigela.

- Talvez porque aí as pessoas vão usar mais.

- Acho que sim. Conheci um sujeito que ficou um tempo comendo só açúcar. Ele ia ao Automat. Pagava dez centavos por uma xícara de café, bebia a metade, enchia de açúcar. Pelo menos não morreu de fome.

Como sempre, fiquei imaginando se o sujeito não seria o próprio Morph: um homem estranho, durão, sem idade e com unhas feitas. Acho que ele era um homem bastante educado, mas só por causa da sua maneira de agir e de seu modo de pensar. Sua erudição se escondia em um dialeto de palavras de baixo calão, a linguagem dos iletrados inteligentes, duros e exibidos.



O Inverno da Nossa Desesperança


Título do original em Inglêsl: The Winter of our Discontent

Autor: John Steinbeck (1902 – 1968)

Livro de 1962

Tradução: Ana Ban

Editora L&PM Pocket – Inverno de 2007




Este é o último livro que li. Como sempre falei muita besteira, vivo pedindo desculpas ou atualizando minhas impressões a cerca das coisas. Sendo assim, lá vai mais uma correção: eu gosto dos escritores americanos. A ignorância é uma doença cuja vacina deve ser ministrada diariamente. O mais importante é começar o tratamento cedo.


Tenho até medo de comentar este livro, mas sei que algumas pessoas gostam que eu o faça (acho que só você, Miau), por isso vou me arriscar.


O que mais me chamou a atenção neste livro foi o caráter despretensioso que o autor imprime, mesmo quando trata de assuntos muito profundos. O engraçado é que esses assuntos são as coisas corriqueiras, o cotidiano, mesmo porque, a falência de nosso mercadinho nos atinge muito mais do que a morte de milhões de desconhecidos do outro lado do planeta (isso em termos práticos, não me achem insensível).


Outra coisa que me marcou foi a construção dos personagens, principalmente o principal; Um personagem diferente transforma o livro em divã. Nele, serão discutidos os pequenos problemas do cotidiano que são o verdadeiro pano de fundo das grandes tragédias. Um livro sobre honestidade, sobre trabalho e sobre valores que são tão proclamados pela sociedade quanto incompatíveis à sua própria estrutura.


Desculpem qualquer coisa. Hoje é domingo e eu já tomei uma cerveja.



Marullo - personagem do livro.

segunda-feira, junho 08, 2009

63 - Biografias


Eu jamais leio biografias.

(Adoro essas frases de abertura que viram um parágrafo inteiro. Elas transformam qualquer besteirinha em uma besteira grande.)


Acho que nunca havia lido uma biografia séria antes, mas comecei em grande estilo com o livro “John Lennon, A Vida” de Philip Norman.



Sempre fui muito fã dos Beatles e em especial de John, mas não esperava que a sua personalidade e gênio criativo pudessem ser tão grandiosos. Confesso que no começo me senti um pouco decepcionado com as descobertas que fiz ao penetrar na vida de Lennon, mas o livro trata a pessoa com justiça e o artista com um cuidado especial.


Além recomendar o livro a todos que gostam de Beatles, música, artes, história da cultura pop, século XX e contracultura, divido com vocês a experiência de um iniciante em biografias.


Descobri que ler a biografia de uma pessoa, seja ela um ex-penitenciário, um estadista, um ídolo pop ou um revolucionário, pode esclarecer muito sobre nós mesmos e as pessoas que nos cercam. Uma biografia é uma olhada cuidadosa e atenta no próximo, coisa que nem sempre temos tempo de fazer. Ao ler a história de John Lennon, vi muito de alguns amigos refletido no comportamento dele e vi muito de mim mesmo. Afinal, somos todos mais ou menos parecidos, com nossas fraquezas, necessidades e sonhos. Achei muito interessante olhar de perto e com atenção para alguém, tentar entender essa pessoa e ver quanto de mim existe ali. Acho que isso torna a gente mais tolerante e nos ajuda conhecer e escolher quem está a nossa volta.


No fim das contas, foi um livro que mexeu muito comigo: fiquei triste, estimulado, revoltado, surpreso, decepcionado, orgulhoso, curioso e emocionado. Foi difícil me afastar dos romances, mas acho que foi um primeiro passo importante na abertura de novos horizontes.

terça-feira, maio 27, 2008

Ataque dos Sonhos


Dizem que quando uma pessoa se especializa em uma matéria, acaba ficando um pouco alienada em outros campos. Acho que isso pode ter um fundo de verdade. Basta observar os grandes mestres do xadrez que não servem para nada que não envolva o jogo. Ainda nos esportes, cito Ronaldinho como o Fenômeno da Especialização, porque, se dentro de campo é um goleador, longe dele só dá bola fora.

Mas não estou aqui para condenar o “pobre” Ronaldo, afinal um cara que só sabe jogar futebol e se contunde fica desesperado para bater uma bolinha. Muito compreensível.

O que podemos questionar, com toda justiça, é a escalação do Fenômeno. Montou uma frente com três atacantes liderada por Andréa, que mostrou que faz jus ao agressivo esquema tático escolhido.

Como cada brasileiro é um técnico, eu proponho que vocês deixem a escalação do Trio de Ataque dos Sonhos nos comentários desta postagem. Vale chamar qualquer uma, mesmo que já tenha sido citada, por isso, quem quiser reforçar seu time com a atacante da vez, Andréa, fique muito à vontade.

quinta-feira, março 27, 2008

Brasil 1 X 0 Suécia


Um jogo gostoso de ver. A cerveja escura tem um gosto mais suave e combina muito bem com o salame. Já a cerveja do tipo Abadia é muito saborosa, com uma lindíssima coloração avermelhada e combina muito bem com cogumelos e queijo minas (bem salgadinho).

Como ainda não tenho condições de beber essas maravilhas durante os noventa minutos, condições financeiras, entenda-se, porque fisicamente beberia até cento e oitenta minutos sem intervalos, para o segundo tempo reservei a tradicional cerveja pilsen que gosto de combinar com peperoni.

E desta forma, diverti-me mesmo acompanhando aquele jogo árido. A única coisa digna de nota foi o golaço feito na sorte e que definiu a partida, grande desvantagem do xadrez em relação ao futebol.

domingo, outubro 14, 2007

Espírito Esportivo



Que o futebol virou um grande negócio, os times empresas e os jogadores mercenários todo mundo já sabe. Que já não existe mais amor à camisa, que os dribles e jogadas geniais que empolgavam os torcedores viraram “provocação” e isso transformou o mais popular esporte do mundo numa apresentação entediante de preparo físico e objetividade todo mundo também sabe. Mas a grande novidade da destruição do futebol como entretenimento ficou por parte das torcidas.

Recentemente fique muito surpreso com a manifestação de algumas torcidas (acho que a do Botafogo e a do Corinthians) que invadiram o treino para agredir jogadores e técnicos exigindo melhores resultados. Eu já achava um absurdo as pessoas ficarem revoltadas com a derrota dos seus times, mas essas demonstrações dos últimos tempos superam tudo.

É claro que num jogo que não termine empatado, alguém perderá. O torcedor que vai para o estádio hoje se acha no direito de sair com a vitória, desconsiderando que na outra torcida também existe alguém que pagou o ingresso. Quem tem mais direito?

O absurdo é tão grande que até mesmo pessoas de dentro do esporte, como técnicos e jogadores, declaram publicamente que o torcedor tem direito de cobrar do time, desde que pacificamente. Claro que não temos muitos jogadores conhecidos por suas grandes idéias ou declarações coerentes, mas o único direito que o torcedor tem é de sentar no lugar marcado e esperar que seu time faça o possível (dentro do espírito esportivo) para sair com um bom resultado. E só.

Um bom exemplo de espírito esportivo é o da seleção brasileira feminina de futebol. Elas perderam, mas jogaram bem e não foram criticadas pelo segundo lugar. É assim que deve ser. Amor ao clube é sair do estádio satisfeito por ter participado do espetáculo do futebol e se preparar para mais uma semana de trabalho, doido para que chegue o domingo de novo.

Vivemos numa época onde valorizam o esporte como disciplinador e formador de gerações mais cidadãs, mas o verdadeiro espírito esportivo é pouco discutido. A medalha de ouro olímpica é supervalorizada, ninguém se lembra do terceiro e quarto lugares e se um juiz se engana ou até mesmo age de má fé interferindo no resultado só quem se importa é a parte derrotada.

A verdade é que todos perdemos quando o espírito esportivo não entra em campo.

segunda-feira, março 12, 2007

Presente


Esse desenho foi feito para ilustrar um texto. Quem for muito curioso pode passar no blog de um pessoal muito louco e dar uma lidinha: caralhaquatro.