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segunda-feira, julho 05, 2010

Copa 2010


Brasilino acordou cedo, pois tinha um compromisso com seus velhos amigos. O mesmo compromisso de muitos anos, uma caçada em grupo.


Todos sairiam do mesmo lugar, a fazenda de um dos amigos de Brasilino, mas antes teriam de escolher seus cachorros.


Brasilino já participava dessa caçada anual há muito tempo e sempre usava o mesmo cachorro. Quando chegou no canil, Brasilino encontrou seu cachorro de sempre, mas ele estava muito velho.


O velho cachorro de Brasilino estava cego de um olho, quase não tinha dentes na boca e arrastava de uma perna, o que fazia com que ele se movesse ainda mais lentamente do que impunha o peso de sua idade.


Existiam muitos cachorros disponíveis para a caçada. Cada caçador escolheu o seu cachorro e todos levaram o que achavam o mais esperto, o mais forte.


Brasilino, pensando em todas as boas caçadas que vivera com seu velho companheiro, escolheu o velho cachorro para acompanhá-lo. Escolheu baseado na amizade, no companheirismo e na confiança que sempre tivera no amigo.


Ao final da caçada, todos voltaram com algum troféu, menos Brasilino que voltou de mãos vazias.


Os amigos de Brasilino riam e se divertiam. Um deles falou: “Brasilino, você foi o único que não trouxe nada”. Brasilino respondeu: “meu cachorro era muito velho e lento, além disso, não tinha mais dentes, mesmo a caça morta, ele não conseguia segurar”.


“Mas Brasilino” – retrucou um amigo – “havia muitos cachorros no canil, porque você foi escolher logo este?”.


Brasilino respondeu que estava muito honrado de trabalhar com aquele cachorro, que agradecia a confiança de todos e que tinha a sensação do dever cumprido.


Um outro amigo falou ainda: “então tá, Brasilino, agora não reclama de não ter trazido nem um Ganso para contar a história”.


Brasilino respondeu em voz baixa: “mas tu é um puta cagão”.


Moral da História: Se quiser uma fábula bem escrita, vá ler Esopo!

terça-feira, março 30, 2010

Vergonha




Dizem que o que vale é a intenção, mas eu acho que os holandeses mandaram muito bem quando passaram por aqui.

quarta-feira, março 03, 2010

De como eu descobri que sou gordinho - Parte II

Eu sempre fui magrinho. Na época de estudante, eu jogava muita bola, aliás, não ia para escola para outra coisa. O negócio só começou a mudar depois que eu casei.

Claro que a mudança de vida interferiu nessa transformação. Eu não estava mais na escola, ou seja, já não praticava esporte todos os dias, além de trabalhar sentado na frente do computador, mas o fator principal, o maior culpado, o verdadeiro vilão foi o casamento. Minha esposa é uma excelente cozinheira e eu descobri que o que engorda de fato é ela. O que engorda é Mara. Além dos maravilhosos pratos que faz, ela não me deixa levantar nem para pegar a cerveja, o que elimina o exercício físico da minha rotina. Por isso, em poucos anos de convívio eu quase dobrei meu peso.

É claro que eu não estava nem aí. Aliás, eu me olhava no espelho e só me enxergava fortão. Claro que tinha uma barriguinha, mas não era nada de mais. Eu não era mais um magricela, agora eu era forte. O espelho me mostrava isso.

Certo dia, num desses babas organizados pelos colegas de trabalho, meu time conseguiu uma escanteio. Eu, artilheiro matador nato, me posicionei na área para receber a bola, quando escutei um grito "DEIXA QUE EU MARCO O GORDINHO". Tudo bem, até o cara que gritou vir para o meu lado, e foi aí que eu descobri a verdade: o gordinho era eu!

terça-feira, fevereiro 23, 2010

De como eu descobri que sou gordinho - Parte I


Eu sempre fui um defensor da liberdade e da igualdade, mas existe uma diferença que eu sempre achei importante observar: a diferença entre os sexos. Claro que eu não estou falando de grandes ou pequenos, com esse tipo de desigualdade nós homens devemos nos acostumar muito cedo. Daí inventarmos frases como "o importante não é o tamanho..." e etc., a diferença que eu quero ressaltar aqui é entre homens e mulheres.

Não vou descartar os diferentes tipos de homens e mulheres que tornam essa discussão ainda mais complexa, mas existem comportamentos e ideias que são típicos de cada sexo. Por isso que eu não sou contra a nomenclatura "terceiro sexo", só acho insuficiente, já que existem o quarto, o quinto o sexto e assim por diante (ainda bem que os números são virtualmente infinitos, já pensou se usássemos letras? Não daria conta). Da mesma forma que as mulheres são vaidosas, existe um tipo de homem que paga para fazerem suas unhas (os que fazem unhas geralmente estão no terceiro sexo ou em outra categoria), cuidam da pele e tomam chá verde. Assim como existem mulheres que gostam de futebol, vão ao estádio e não sabem cozinhar, há homens que choram vendo novela e criam cachorros de pequeno porte. A verdade é que está cada vez mais difícil falar sobre sexo, opção, orientação sexual e assim por diante, mas existe uma diferença que vale para a maioria dos homens e das mulheres, e é sobre isso que eu vou falar.

Dizem que as mulheres se olham no espelho e sempre se vêm gordas, e que o homem, por mais gordo que esteja, sempre se vê forte. Eu posso atestar a verdade disso, porque tenho várias amigas magras que se acham gordas, e principalmente porque, até bem pouco tempo, eu me olhava no espelho e sempre me via fortão. Isso não mudou porque fiquei mais gordo, na verdade, ainda me acho forte quando me olho no espelho, o problema foi um episódio que aconteceu algum tempo atrás.

sábado, outubro 24, 2009

Sábado de Chuva


Paulinho adorava jogar bola.

Paulinho tinha muitos amiguinhos que, como ele, adoravam jogar bola.


Paulinho contou os dias esperando a chegada do sábado.


Na sexta, todos os amiguinhos confirmaram que jogariam bola com Paulinho.


O sábado chegou e trouxe muita chuva e trovoada.


Paulinho ficou virado na disgrrraça!


segunda-feira, agosto 10, 2009

69 - impatience


Os mais antigos conhecem a história. Um desenho antigo para o tema novo do IF.




domingo, maio 31, 2009

62 - Contribuição

O texto abaixo é do meu amigo Léo. Ele pediu para eu ilustrar e cedeu como contribuição para o blog. Valeu, argentino!


"Estavam reunidos na noite anterior os seis devassos indivíduos, sentados em torno de uma mesa redonda de madeira tosca, em um mercado mal freqüentado às margens das fétidas águas do Porto de São Salvador. Moviam-se os ponteiros dos relógios, e a cada momento aumentava a tensão no interior de cada um dos companheiros. Em silêncio tragavam em longos goles uma cerveja quente e de péssima qualidade, que alardeava-se ser de origem das terras de um Kaiser germânico. Vapores nefastos, uma mistura de salitre, pesca apodrecida e urina de homens e ratos, permeavam o ambiente deixando ainda mais pesado o quente e úmido ar noturno.

Moscas vinham procurar seu alimento no suor que brotava da testa de cada um, porém eram logo dispersas de seu intento por bruscos e irritados gestos, acompanhados às vezes de algum urro monossilábico semelhante àqueles que os piratas também utilizavam para comunicar-se entre si e para pedir à proprietária do estabelecimento, uma dona gorda, sebosa e mal-encarada, mais bebida.


A mesa onde estavam sentados ocupava uma posição central, a partir da qual podiam perfeitamente discernir toda movimentação ao seu redor e constatar que para onde quer que olhassem estavam cercados por seres cuja principal característica era a de possuírem culhões que coçavam com grande entusiasmo. Este último fato em particular era o que mais incomodava aos seis irmãos da piratagem e os deixava extremamente mal-humorados"

quinta-feira, maio 21, 2009

Cinco e cinquenta e cinco

Aquela era a hora mais confusa do dia para seu Clodoaldo: a ansiedade pela chegada da hora de ir embora juntava-se a desilusão de voltar para casa.

segunda-feira, maio 18, 2009

Sorriso

Ele me disse que morava debaixo de um viaduto e seu quarto, cama e cobertor eram de papelão. Nestes últimos dias de chuva, não dormiu quase nada. Quando eu estava indo embora, ele percebeu um último olhar e se despediu com este sorriso.

segunda-feira, agosto 25, 2008

57 - Terror


Depois da guerra, ele decidiu não viver mais entre os homens. Fugiu de todos e foi morar nas cavernas distantes apenas com as terríveis lembranças de tudo que passou. Esteve à beira da morte antes de aprender o que poderia comer. Frutas, raízes, cascas de árvores e até insetos faziam parte da sua dieta, o que muitas vezes lhe causou alucinações que traziam de volta tudo o que queria esquecer. Porém, de todos os sofrimentos que a vida lhe reservara, aquela era a visão mais horrenda que jamais imaginara.