Eu sei que tem gente que não gosta de domingos, mas são aqueles que sofrem de véspera pensando na segunda-feira. Para muitos, o domingo é dia de folga, dia de se esforçar como não se faz nos dias úteis, mas com a única e lícita intenção de se divertir. Só que hoje é um domingo especial: um domingo de finais.
Eu sei que tem gente que não abre mão de um bom programa só por causa de futebol. Eu mesmo jamais dispensaria um convite de trigêmeas suecas, deusas da beleza com seios anti-gravitacionais, para uma partida de dominó numa hidromassagem cheia de Stella Artois ao som do clássico “Músicas para Ouvir Amando”. Mas tem gente que se prepara com muita antecedência para que não falte nada no momento do espetáculo. Alguns negociam a semana toda com as esposas, assistindo novela, “Uma Linda Mulher” e todo tipo de mazela feminina só para ficar com o controle remoto da TV no domingo. Isso quando não podem abandonar o aconchego do lar para ir enfrentar engarrafamento, intempérie, empurra-empurra e cerveja quente para ver o jogo no estádio.
Hoje é domingo de finais e eu já paguei minha cota de privações, exposições, humilhações e submissões. Já preparei tudo, comprei a cerveja e o tira-gosto, conquistei o privilégio do controle remoto e desliguei o celular (para o caso das trigêmeas tentarem me ligar).
Todos temos sonhos, uns mais humildes, outros mais extravagantes, mas todos alimentamos desejos, secretos ou não, nos momentos de ociosidade, angústia ou devaneio. Quem nunca parou e ficou imaginando como seria se o seu desejo fosse realizado? Quem nunca se estendeu nesses deliciosos pensamentos dando asas à imaginação?
Existem sonhos possíveis, ainda que improváveis, como ficar rico com o trabalho honesto ou comer a Camila Pitanga, e existem os sonhos impossíveis como a Paz Mundial ou uma garrafa inquebrável que produza cerveja gelada e inesgotável de diferentes tipos (isso é um sonho!). O bom do sonho não é se ele é possível ou não. O bom do sonho é sonhar.
Outra coisa boa no sonho é a Infidelidade Onírica. Podemos sonhar com coisas diferentes sempre que quisermos, sempre que nosso gosto mudar ou quando aparecerem atrizes mais gostosas. Não estamos presos a um sonho só. Cada dia podemos ter um sonho diferente, podemos atualizar nossos desejos.
Hoje eu tenho um sonho. Ele não está na categoria dos impossíveis, mas deve estar entre os mais improváveis. Eu queria ver esse time do Santos jogando contra o Barcelona na Vila Belmiro. Eu naquele camarote que é quase dentro do campo tomando muita cerveja e vendo, no fim do segundo tempo, Neymar fazer um gol de bunda e fechar o placar em dez a nove para os “Meninos da Vila”.
Eu sempre fui magrinho. Na época de estudante, eu jogava muita bola, aliás, não ia para escola para outra coisa. O negócio só começou a mudar depois que eu casei.
Claro que a mudança de vida interferiu nessa transformação. Eu não estava mais na escola, ou seja, já não praticava esporte todos os dias, além de trabalhar sentado na frente do computador, mas o fator principal, o maior culpado, o verdadeiro vilão foi o casamento. Minha esposa é uma excelente cozinheira e eu descobri que o que engorda de fato é ela. O que engorda é Mara. Além dos maravilhosos pratos que faz, ela não me deixa levantar nem para pegar a cerveja, o que elimina o exercício físico da minha rotina. Por isso, em poucos anos de convívio eu quase dobrei meu peso.
É claro que eu não estava nem aí. Aliás, eu me olhava no espelho e só me enxergava fortão. Claro que tinha uma barriguinha, mas não era nada de mais. Eu não era mais um magricela, agora eu era forte. O espelho me mostrava isso.
Certo dia, num desses babas organizados pelos colegas de trabalho, meu time conseguiu uma escanteio. Eu, artilheiro matador nato, me posicionei na área para receber a bola, quando escutei um grito "DEIXA QUE EU MARCO O GORDINHO". Tudo bem, até o cara que gritou vir para o meu lado, e foi aí que eu descobri a verdade: o gordinho era eu!
Eu sempre fui um defensor da liberdade e da igualdade, mas existe uma diferença que eu sempre achei importante observar: a diferença entre os sexos. Claro que eu não estou falando de grandes ou pequenos, com esse tipo de desigualdade nós homens devemos nos acostumar muito cedo. Daí inventarmos frases como "o importante não é o tamanho..." e etc., a diferença que eu quero ressaltar aqui é entre homens e mulheres. Não vou descartar os diferentes tipos de homens e mulheres que tornam essa discussão ainda mais complexa, mas existem comportamentos e ideias que são típicos de cada sexo. Por isso que eu não sou contra a nomenclatura "terceiro sexo", só acho insuficiente, já que existem o quarto, o quinto o sexto e assim por diante (ainda bem que os números são virtualmente infinitos, já pensou se usássemos letras? Não daria conta). Da mesma forma que as mulheres são vaidosas, existe um tipo de homem que paga para fazerem suas unhas (os que fazem unhas geralmente estão no terceiro sexo ou em outra categoria), cuidam da pele e tomam chá verde. Assim como existem mulheres que gostam de futebol, vão ao estádio e não sabem cozinhar, há homens que choram vendo novela e criam cachorros de pequeno porte. A verdade é que está cada vez mais difícil falar sobre sexo, opção, orientação sexual e assim por diante, mas existe uma diferença que vale para a maioria dos homens e das mulheres, e é sobre isso que eu vou falar. Dizem que as mulheres se olham no espelho e sempre se vêm gordas, e que o homem, por mais gordo que esteja, sempre se vê forte. Eu posso atestar a verdade disso, porque tenho várias amigas magras que se acham gordas, e principalmente porque, até bem pouco tempo, eu me olhava no espelho e sempre me via fortão. Isso não mudou porque fiquei mais gordo, na verdade, ainda me acho forte quando me olho no espelho, o problema foi um episódio que aconteceu algum tempo atrás.
O Botafogo do Rio de Janeiro foi até o Pará enfrentar o São Raimundo pela Copa do Brasil e sabe o que o aconteceu? O Botafogo perdeu. Pelo menos é assim que a informação chegará em todo Brasil, menos lá no Pará onde, sem dúvida, o São Raimundo ganhou.
É incrível como a imprensa esportiva não consegue deixar de lado velhos preconceitos. É claro que os times grandes são favoritos, mas a Copa do Brasil é a verdadeira festa do futebol brasileiro. Times pequenos e até mesmo desconhecidos de todas as partes do país vivem seu momento de glória ao enfrentar times de tradição. Agora imagine se um desses times ganha, como no caso do São Raimundo. É preciso dar valor a conquista destes "timinhos", afinal, o sonho do futebol não pode ficar restrito às capitais ou a quem tem dinheiro. Por isso os campeonatos estaduais são tão importantes. Eles mantêm acesa a paixão pelo futebol através da proximidade. Ele cria heróis anônimos que o Brasil esquecerá no dia seguinte, mas que estarão para sempre imortalizados na foto do time pregada nos botecos da cidade. O futebol é a arte do povo, por isso, como diz a canção: "todo artista tem de ir aonde o povo está". O futebol do dinheiro deve isso aos pequenos.
Parabéns ao São raimundo e a todos os "pequenos" que disputam o melhor campeonato do Brasil, o mais emocionante, o mais democrático, o mais curioso e rico culturalmente. Parabéns não só por enfrentar os grandes de igual para igual, mas por mostrar para os brasileiros o tamanho e a diversidade desse país que não se conhece e, muitas vezes, não se respeita. Afinal, como diz uma outra canção: "ficar de frente para o mar, de costas pro Brasil, não fazer desse lugar um bom país".
Essa ilustração é de um projeto antigo que acabou não indo para frente. Vezo, no dicionário, é um costume, um vício. É bem assim que eu me sinto em relação ao desenho, mesmo quando estou de saco cheio das frustrações, não consigo parar. Pelo menos por muito tempo.
Paulinho adorava jogar bola. Paulinho tinha muitos amiguinhos que, como ele, adoravam jogar bola. Paulinho contou os dias esperando a chegada do sábado. Na sexta, todos os amiguinhos confirmaram que jogariam bola com Paulinho. O sábado chegou e trouxe muita chuva e trovoada. Paulinho ficou virado na disgrrraça!
Os visitantes, alguns com o rosto sério, mesmo severo, outros a sorrir contrafeitos, mas todos fortemente acanhados, inclinaram-se e tomaram lugar à mesa. Mais acanhado do que todos se sentia o capitão Riabóvich, um oficial baixinho, de ombros caídos, caixa-d’óculos, de suíças lembrando um lince. Enquanto os colegas se mostravam cheios de seriedade ou sorriam encabulados, suas faces, as suíças de lince e seu par de óculos pareciam explicar: "Eu sou o mais tímido, modesto e insignificante oficial de toda a brigada". Depois que se sentou à mesa levou ainda algum tempo sem poder fixar a atenção em coisa alguma ao redor de si. Rostos, vestidos, os frascos burilados do conhaque, os compridos copos a deitar fumaça, as cornijas modeladas — tudo se confundia num só e dominante sentimento que lhe causava intenso terror e quase o forçava a procurar um buraco onde meter a cabeça. Como inexperiente conferencista, ele via todas as coisas diante de si sem nada poder distinguir, e era com efeito uma vítima disso que os homens de ciência diagnosticam como "cegueira psíquica".
Essa é mais uma tentativa de usar a tablet. Já tentei antes, mas desisti. Espero que agora possa trazer essa ferramenta para meu dia a dia e facilitar meu trabalho. Essa ilustração é para o projeto de um amigo. Faz parte de uma série e eu vou aproveitar para estudar e trabalhar ao mesmo tempo. Espero que dê certo...
Gostaria de agradecer a visitação que o blog vem recebendo. Eu coloco essas coisas aqui, porque tenho muita vontade de desenhar e escrever, mas porque quero muito dividir minhas experiências e conversar com os outros. Dizer o que acho e saber o que acham. Por isso, agradeço muitíssimo às pessoas que comentam ou que simplesmente registram sua visita, seja nos comentários ou nos recados da capa. Muito obrigado mesmo.
Obrigado, ainda, a quem vem, mas não deixa rastro. Engraçado como muitas pessoas dizem para mim que viram o blog, mas não deixaram comentários. São os tímidos e eu agradeço a eles também.
Obrigado aos preguiçosos, aqueles que passam por aqui e assumem que têm preguiça de escrever, mas falam pessoalmente ou por telefone (que nos dias de hoje é quase um pessoalmente também).
Agradeço aqueles que mandaram alguma contribuição ou idéia, os participativos, valeu.
Agora, MUITO OBRIGADO MESMO aos amigos que mandaram fotos. Esses admiradores do blog que, mais do que participar, querem fazer parte deste espaço, que no fim das contas, é de todos nós mesmo.
Arkadi olhou admirado para o homem e pensou: “Está certo, é bom que as pessoas de meia idade, talvez até algumas já mais idosas, continuem a jogar tênis, mas com certeza chegará um tempo em que, por uma questão de decência, é preciso desistir”.
O homem à sua frente usava calça de flanela branca, cada perna parecendo um saco, calçava tênis sujos e vestia uma camiseta já amarelada. Naturalmente, passava dos sessenta. Era baixo, quase um anão e muito gordo. Estava distante do pavilhão de tênis do Hurlingham Club, aparentando esperar por alguém. Arkadi nem sequer suspeitava de que o homenzinho estava esperando por ele. O gordinho tinha a cabeça, grande e redonda, coberta por uma peruca ruiva. Além disso, mascava chicletes e toda hora cuspia para o lado, sem querer saber se havia gente por perto, na trajetória do cuspe.
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Já falei aqui da minha enorme ignorância a respeito de assuntos que gosto muito e que, por isso mesmo, deveria conhecer um pouco mais (como música e literatura). O que ainda não mencionei é que isso me proporciona algumas surpresas muito legais. A última delas se chama George Mikes.
Sei que muita gente vai dizer que ele é famosíssimo, que escreveu vários livros e nem vai acreditar que eu não o conhecia. É isso mesmo, o que eu posso fazer? O fato é que lendo “O espião que morreu de tédio” fui iniciado neste autor super engraçado e despretensioso. Diversão garantida.
O livro é uma sátira bem-humorada dos romances de espionagem e traz todos os ingredientes que estas histórias devem ter, sexo, intriga, romance, mistério, tudo de um jeito diferente e inusitado. É um pouco ingênuo em algumas partes, mas é o tipo de humor que eu gosto.
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O espião que morreu de tédio
Título do original em Inglês: The spy who died of boredom
A Srta. Lynch... srta. Lynch. O “senhorita” já fazia parte do nome dela, e parte dela mesma. Acho que ela nunca mais será capaz de extirpá-lo. O nariz dela fica mais vermelho a cada ano, mas é sinusite, não bebida.
- Bom dia, Ethan – ela disse. – Está comemorando alguma coisa?
- Ele me arrastou para cá – respondi, e então, como que fazendo um exercício de simpatia, acrescentei: - Annie.
A cabeça dela se voltou como se tivesse ouvido um tiro e então, quando absorveu a idéia, sorriu e, sabe o quê? Ficou com a mesma cara que tinha na quarta série, o nariz vermelho e tudo.
- É bom vê-lo, Ethan – ela disse e assoou o nariz com um guardanapo de papel.
- Quando ouvi, fiquei surpreso – Morph disse. Puxou o papel do cubo de açúcar. Tinha as unhas feitas. – A gente tem alguma idéia, então ela se fixa e a gente fica achando que é verdade. Levamos um susto quando descobrimos que não é.
- Não sei do que você está falando.
- Acho que eu também não sei. Estas embalagens são uma desgraça. Não sei por que simplesmente não os colocam soltos em uma tigela.
- Talvez porque aí as pessoas vão usar mais.
- Acho que sim. Conheci um sujeito que ficou um tempo comendo só açúcar. Ele ia ao Automat. Pagava dez centavos por uma xícara de café, bebia a metade, enchia de açúcar. Pelo menos não morreu de fome.
Como sempre, fiquei imaginando se o sujeito não seria o próprio Morph: um homem estranho, durão, sem idade e com unhas feitas. Acho que ele era um homem bastante educado, mas só por causa da sua maneira de agir e de seu modo de pensar. Sua erudição se escondia em um dialeto de palavras de baixo calão, a linguagem dosiletrados inteligentes, duros e exibidos.
O Inverno da Nossa Desesperança
Título do original em Inglêsl: The Winter of our Discontent
Este é o último livro que li. Como sempre falei muita besteira, vivo pedindo desculpas ou atualizando minhas impressões a cerca das coisas. Sendo assim, lá vai mais uma correção: eu gosto dos escritores americanos. A ignorância é uma doença cuja vacina deve ser ministrada diariamente. O mais importante é começar o tratamento cedo.
Tenho até medo de comentar este livro, mas sei que algumas pessoas gostam que eu o faça (acho que só você, Miau), por isso vou me arriscar.
O que mais me chamou a atenção neste livro foi o caráter despretensioso que o autor imprime, mesmo quando trata de assuntos muito profundos. O engraçado é que esses assuntos são as coisas corriqueiras, o cotidiano, mesmo porque, a falência de nosso mercadinho nos atinge muito mais do que a morte de milhões de desconhecidos do outro lado do planeta (isso em termos práticos, não me achem insensível).
Outra coisa que me marcou foi a construção dos personagens, principalmente o principal; Um personagem diferente transforma o livro em divã. Nele, serão discutidos os pequenos problemas do cotidiano que são o verdadeiro pano de fundo das grandes tragédias. Um livro sobre honestidade, sobre trabalho e sobre valores que são tão proclamados pela sociedade quanto incompatíveis à sua própria estrutura.
Desculpem qualquer coisa. Hoje é domingo e eu já tomei uma cerveja.
(Adoro essas frases de abertura que viram um parágrafo inteiro. Elas transformam qualquer besteirinha em uma besteira grande.)
Acho que nunca havia lido uma biografia séria antes, mas comecei em grande estilo com o livro “John Lennon, A Vida” de Philip Norman.
Sempre fui muito fã dos Beatles e em especial de John, mas não esperava que a sua personalidade e gênio criativo pudessem ser tão grandiosos. Confesso que no começo me senti um pouco decepcionado com as descobertas que fiz ao penetrar na vida de Lennon, mas o livro trata a pessoa com justiça e o artista com um cuidado especial.
Além recomendar o livro a todos que gostam de Beatles, música, artes, história da cultura pop, século XX e contracultura, divido com vocês a experiência de um iniciante em biografias.
Descobri que ler a biografia de uma pessoa, seja ela um ex-penitenciário, um estadista, um ídolo pop ou um revolucionário, pode esclarecer muito sobre nós mesmos e as pessoas que nos cercam. Uma biografia é uma olhada cuidadosa e atenta no próximo, coisa que nem sempre temos tempo de fazer. Ao ler a história de John Lennon, vi muito de alguns amigos refletido no comportamento dele e vi muito de mim mesmo. Afinal, somos todos mais ou menos parecidos, com nossas fraquezas, necessidades e sonhos. Achei muito interessante olhar de perto e com atenção para alguém, tentar entender essa pessoa e ver quanto de mim existe ali. Acho que isso torna a gente mais tolerante e nos ajuda conhecer e escolher quem está a nossa volta.
No fim das contas, foi um livro que mexeu muito comigo: fiquei triste, estimulado, revoltado, surpreso, decepcionado, orgulhoso, curioso e emocionado. Foi difícil me afastar dos romances, mas acho que foi um primeiro passo importante na abertura de novos horizontes.
O texto abaixo é do meu amigo Léo. Ele pediu para eu ilustrar e cedeu como contribuição para o blog. Valeu, argentino!
"Estavam reunidos na noite anterior os seis devassos indivíduos, sentados em torno de uma mesa redonda de madeira tosca, em um mercado mal freqüentado às margens das fétidas águas do Porto de São Salvador. Moviam-se os ponteiros dos relógios, e a cada momento aumentava a tensão no interior de cada um dos companheiros. Em silêncio tragavam em longos goles uma cerveja quente e de péssima qualidade, que alardeava-se ser de origem das terras de um Kaiser germânico. Vapores nefastos, uma mistura de salitre, pesca apodrecida e urina de homens e ratos, permeavam o ambiente deixando ainda mais pesado o quente e úmido ar noturno.
Moscas vinham procurar seu alimento no suor que brotava da testa de cada um, porém eram logo dispersas de seu intento por bruscos e irritados gestos, acompanhados às vezes de algum urro monossilábico semelhante àqueles que os piratas também utilizavam para comunicar-se entre si e para pedir à proprietária do estabelecimento, uma dona gorda, sebosa e mal-encarada, mais bebida.
A mesa onde estavam sentados ocupava uma posição central, a partir da qual podiam perfeitamente discernir toda movimentação ao seu redor e constatar que para onde quer que olhassem estavam cercados por seres cuja principal característica era a de possuírem culhões que coçavam com grande entusiasmo. Este último fato em particular era o que mais incomodava aos seis irmãos da piratagem e os deixava extremamente mal-humorados"
Ele me disse que morava debaixo de um viaduto e seu quarto, cama e cobertor eram de papelão. Nestes últimos dias de chuva, não dormiu quase nada. Quando eu estava indo embora, ele percebeu um último olhar e se despediu com este sorriso.
Sei que já é notícia velha, mas como esse não é um blog de notícias, reservo-me o direito de fazer um comentário sobre um dos melhores campeonatos baianos desde o tempo em que todas as finais eram em porto seguro e a platéia via mais ou menos quarenta e cinco bolas em campo.
Apesar de alguns lances esporádicos que nos remetiam (no bom sentido) ao popular esporte praticado no sul do Brasil, o campeonato baiano de futebol deixou todas as emoções para a grande final. Ninguém pode reclamar. Neste ano, o baiano teve tudo aquilo que mais gosta junto com a partida (talvez para fazer valer o ingresso): a imprevisibilidade dos dois times disputando para ver quem era o pior, troca de socos e pontapés ao final da partida no melhor espírito carnavalesco e muito tempero por conta da pimenta!
Aliás, diria até que o nosso campeonato foi o melhor do país, já que nosso regionalismo nos tornou universais. O espetáculo da final no Barradão deve ter agradado todo brasileiro que sofre com a crise, as passagens aéreas e a gripe. Afinal, para um povo tão sofrido, ver o spray nos olhos dos outros deve ter sido um ótimo refresco.
Depois de um grande intervalo sem atualizar o blog, volto na esperança de não mais ficar tanto tempo ausente. Espero, desta vez, encontrar estímulo e tempo para colocar minhas besteiras aqui regularmente.
Meu fim de semana foi agitado com mais uma rodada do campeonato de xadrez, uma grande festa no domingo e a ressaca na “Segunda da Loucura” com a tatuagem de meu pai. Ficou linda e ele está super feliz.
Depois da guerra, ele decidiu não viver mais entre os homens. Fugiu de todos e foi morar nas cavernas distantes apenas com as terríveis lembranças de tudo que passou. Esteve à beira da morte antes de aprender o que poderia comer. Frutas, raízes, cascas de árvores e até insetos faziam parte da sua dieta, o que muitas vezes lhe causou alucinações que traziam de volta tudo o que queria esquecer. Porém, de todos os sofrimentos que a vida lhe reservara, aquela era a visão mais horrenda que jamais imaginara.